Crítica: Warcraft – O primeiro encontro de dois mundos

Hollywood não tem um bom histórico com adaptações de games – Super mario e Tomb Raider são apenas alguns dos desastrosos exemplos que assombram qualquer fã de games. E Warcraft – O primeiro encontro de dois mundos é uma das adaptações mais esperadas, e ela finalmente chegou aos cinemas nesta quinta, com um grande apelo visual, será que Warcraft quebrou a maldição de filmes ruins baseados em jogos?

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Vamos esclarecer algo antes de tudo. Nunca joguei warcraft, meu contato com os jogos da Blizzard se limita ao Diablo 2. Talvez para alguns isso invalide minha opinião, porém acredito que uma adaptação cinematográfica, independente de onde é a obra original deve funcionar sozinha.

Resumidamente, o filme conta a história do encontro dos Orcs com os humanos (encontro de dois mundos, o titulo explica tudo).
A primeira coisa que chama atenção no longa é a bela trilha sonora (quando não a mesma, baseada no jogo). Com um tom grandioso, muitas vezes possuindo mais camadas que os próprios personagens.
Personagens esses que não possuem mais profundidade que uma colher de chá. Motivações toscas e sem sentido, diálogos muito pretensiosos porém extremamente rasos

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Talvez o maior problema tenha sido a grande quantidade de personagens a serem apresentados, nem sequer consegui gravar o nome de nenhum, acho que isso diz muito sobre a obra.
Ficou claro que a Universal deseja que Warcraft – O primeiro encontro de dois mundos, seja uma numerosa e lucrativa saga, tanta é a ansiedade para se tornar uma saga que queimaram a largada e esqueceram de desenvolver uma história para os não iniciados no universo da Blizzard.

O longa não é de todo mal, o universo cativa por si só. Os 100 milhões de orçamento foi bem aplicado, a integração entre persongens em live action e os criados por captura de movimento é impecável.

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Mas a história confusa e persongens mal desenvolvidos foi extremamente decepcionante. Apesar do diretor, Ducan Jones, ter dito que se inspirou na pixar para agradar gamers e leigos. a impressão que ficou é que a Blizzard fez o longa apenas para fãs da série.

Se você se encaixa neste público vale a pena a ida ao cinema para ver os personagens que já acompanha há tantos anos. Mas se é novo no universo é valido pensar duas vezes se vale a pena gastar tanto dinheiro no ingresso.

An honest liar: O documentário sobre a incrível vida de James Randi

Você provavelmente já ouviu falar de James Randi, além de sua palestra no TED, aqui no Brasil ele chegou a aparecer no fantástico nos idos dos anos 90, desmistificando vários casos “sobrenaturais” que o programa tanto explorava.
Mas para quem não conhece, James Randi é um mágico, ilusionista e especialista em desmascarar charlatões que enganam e ganham milhões as custas de pessoas inocentes e iludidas.

O documentário An honest liar fala justamente da história de Randi e sua verdadeira devoção em desmascarar estas pessoas.
Mas acima de tudo é um documentário muito humano e intimo, mostrando diversas facetas de James e seu relacionamento com seu marido, Deyvi Pena.
Enquanto intercala cenas contando a sua – incrível – história de vida.

O documentário foi dirigido pelo Justin Weinstein e pelo Tyler Measom e o melhor de tudo, está disponível no (ou na) Netflix , vale a pena dar uma olhada. 😀

Quando meus pais não estão em casa – Um drama emocionante e decepcionante

Talvez o maior problema do “Quando meus pais não estão em casa” seja a expectativa, ao ver o trailer se espera outra coisa deste filme Singapurense, dirigido pelo Anthony Chen, a trama se vende como um retrato das mulheres que vem de distintos países para trabalhar em um regime de semi-escravidão, que sofrem abusos, são privadas de sua liberdade e de sua dignidade, coisas que todos – apesar de as vezes fingirmos que isso não existe – sabemos que acontece debaixo de nosso nariz. Não posso dizer que isto não é tratado, mas é abordado de forma tão superficial que você sempre fica esperando por “mais”. Talvez isso se dê pela sua nacionalidade, estamos tão acostumados com as tramas rápidas, em que acontecem muitas coisas dos filmes americanos, que quando algo foge deste padrão se torna incompleto, estranho.

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Os persongens carregam o filme, engraçado pensar que alguns parecem ter saído de Game of Thrones, não pelas tramas políticas elaboras e as decapitações, mas por não existir um “lado mal” e outro “do bem”, todos são pessoas que fazem de tudo pra sobreviver, e as vezes erram, muito.

Aliás, a trama é baseada na história real do diretor, “Quando eu era mais novo, minha mãe contratou uma empregada filipina para cuidar das crianças. Teresa esteve conosco por longos oito anos, até os meus 12 anos. Nós a chamávamos de Auntie Terry. Quando ela foi embora, foi difícil lidar com a saudade”.

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Na verdade a trama fala da relação da empregada (Elena) com o garoto levado e mal criado da família, Jiale Este é o mérito do longa, esta relação é tratada com sutileza e sensibilidade. Uma criança malcriada e uma estrangeira que é maltratada por todos.

Crítica: A teoria de tudo

A tão esperada cinebiografia do  físico britânico, Stephen Hawking, finalmente chega às telas. Dirigido por James Marsh A teoria de tudo foi indicado à 5 oscars. O que me fez ficar com muita expectativa, mas será que toda essa expectativa conseguiu ser atingida?

A história é baseada na biografia de Stephen Hawking e conta a história do seu romance com a futura esposa, Jane Wide (interpretada por Felicity Jones) e o a sua doença.

Logo no inicio é possível notar indícios da esclerose lateral amiotrófica, neste momento é possível perceber que não foi por acaso que Eddie Redmayne foi indicado ao oscar de melhor ator. Desde expressão corporal até a fala fazem parte da interpretação brilhante, ajudando bastante a inserir o telespectador na trama.
Felicity Jones (Jane Wide) também é bastante eficiente, mas com toda certeza Marsh foi o destaque na atuação.

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O drama envolve, porém é nítido que pegaram leve com Hawking, ele é visto como bonzinho todo o tempo do longa. Até quando se divorcia da esposa para ficar com sua enfermeira (é um filme biográfico, isto é considerado spoiler?) Stephen é visto com bons olhos.

Repleto de momentos edificantes e frases de efeito que parecem estar implorando o tempo todo “se emocione, chore, se importe”, quase caindo no clichê de dramas de superação.

Por se tratar de uma cinebiografia houveram muitas quebras no ritmo do filme, apesar de disso, às 2hrs e 3 minutos passaram muito rápido.

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Crítica: O jogo da imitação

O ano já começa cheio de muitos bons filmes estreando no Brasil, e um dos destaques é o Jogo da imitação que se trata uma cinebiografia de um dos heróis de guerra mais desconhecidos, Alan Turing, interpretado pelo rei dos nerds, Benedict Cumberbatch. Adaptado de livro “Alan Turing: The Enigma”. A história se passa no meio da segunda guerra, quando cientistas e inventores trabalharam com os Aliados na decodificação das máquinas Enigma, ajudando a quebrar códigos de mensagens secretas nazistas e auxiliando na vitória aliada.

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Dirigido pelo norueguês Morten Tyldum o filme retrata Alan Turing em três momentos chaves da sua vida. A adolescência, quando sofreu o que hoje chamamos de bullying, a vida adulta, enquanto tentava criar a maquina para decifrar a enigma e no pós guerra, quando foi obrigado à fazer tratamento hormonal.

Um homem extremamente inteligente porém com quase nenhuma habilidade social. E para piorar tudo ainda vive em conflito por ser gay – vale lembrar que naquela época, isto era ilegal.

A interpretação de Benedict é digna de nota, o ator britânico conhecido por interpretar Sherlock Holmes conseguiu convencer como Turing, sua voz tão potente (vale lembrar que ele fez a voz do Smaug no O hobbit) ficou acanhada e quase gaga, dando o tom necessário para alguém como Turing.

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O diretor não poupou esforços para fazer uma reconstrução da época convincente, com mesclando imagens reais da segunda guerra com imagens produzidas para o longa.“O jogo da imitação” consegue te transportar para a época para dar o tom necessário.

Porém nem tudo são flores, um dos maiores problemas do filme são os personagens com uma carga excessiva de clichês. Temos “o policial bonzinho”, “o militar desconfiado mas que ao ver o valor do personagem principal tem a sua redenção” entre muitos outros. Talvez tenha faltado um pouco de criatividade nas cenas de drama, muitas vezes foram completamente forçada.

Parece que faltou coragem de explorar os conflitos homossexuais de Turing, fica o sentimento que não quiseram explorar muito este aspecto para “não ofender o público geral”, muito parecido com “Somos tão jovens” nesta questão.

“O jogo da imitação” é um filme muito eficiente, pode ter alguns tropeços no caminho, mas é uma boa ida no cinema, ainda mais se for para valorizar o trabalho de alguém que é um verdadeiro herói de guerra que foi condenado e se matou apenas por ser quem era.